Ministro disse que relatório da organização, que estima queda do PIB de 5% neste ano, reforça a importância da agenda de reformas

O relatório da Organização para a Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre a economia brasileira reforça a importância da agenda de reformas, afirmou nesta quarta-feira o ministro da Economia, Paulo Guedes.
“O relatório apresenta diagnóstico construtivo e alinhado com a nossa visão”, disse no evento virtual que lançou o documento. Segundo ele, o diagnóstico da OCDE aponta a importância da sustentabilidade fiscal, da produtividade e da qualificação.

Guedes também afirmou que a projeção da OCDE para a queda do PIB em 2020 (5%) é “muito próxima” do que espera o governo.

Ele reforçou o compromisso do país com o teto de gastos, reiterando que o governo “desmontou a armadilha de endividamento em bola de neve”. Isso, segundo o ministro, permitiu a queda dos juros e a correção de uma sobrevalorização crônica da moeda.

Daqui para a frente, afirmou, o governo não vai deixar que medidas temporárias adotadas durante a pandemia “se tornem permanentes, despesas permanentes”. O ministro reforçou que em 2021 “o governo volta com os programas sociais antes existentes”.

Até agora, a economia e a geração de emprego estão se recuperando em ritmo acelerado, de acordo com Guedes.

“Temos que transformar o impulso fiscal em retomada dos investimentos e crescimento sustentável”, disse.

O ministro ainda voltou a prometer a retomada dos programas de privatizações e disse que o governo quer estimular os investimentos privados. “O Brasil será em 2021 a maior fronteira de investimentos do mundo”, afirmou.

“Recado” sobre ambiente


Guedes afirmou ainda que o governo entende a “importância da dimensão ambiental”. O país vem sofrendo críticas de investidores e líderes estrangeiros por causa da sua política ambiental

“O Brasil entende o recado do relatório e importância da dimensão ambiental”, afirmou.

O ministro afirmou, porém, que o país tem a “matriz energética mais limpa do mundo e agricultura extraordinariamente produtiva”.

“Temos que erradicar a mineração ilegal, a derrubada de florestas ilegal”, afirmou, dizendo que o país “tem compromisso com o Acordo de Paris”.

“Sabemos que o futuro é verde e digital”, disse. “Os recursos [naturais] valem mais preservados que destruídos.” Segundo o ministro, a entrada do país na OCDE “vai reforçar” essa agenda ambiental e social.

Na entrevista coletiva de lançamento do relatório da OCDE, o secretário de comércio exterior e assuntos econômicos do Itamaraty, José Buainain Sarquis, afirmou que a Noruega e a Alemanha discutem a volta dos aportes financeiros no Fundo Amazônia.

“O fundo está sendo rediscutido com seus aportadores, Noruega e Alemanha, e deverá ser reativado. Há bons entendimentos nesse sentido”, disse Sarquis.

Adesão à OCDE

Enquanto o país toca a agenda de reformas, a adesão ao organismo multilateral “é passo fundamental na nossa estratégia de modernização”, disse Guedes.

“Reforço que o Brasil está pronto para ingressar na OCDE”, disse, destacando que o país já atende a 94 dos 245 instrumentos exigidos.

O ingresso na organização, de acordo com ele, não será bom apenas para o Brasil, mas também para a própria OCDE. “Estamos entre as dez economias mais fortes do mundo”, afirmou.

Segundo o ministro, a economia brasileira está em transformação de um passado de forte intervenção estatal para uma economia de mercado, “onde o setor público tem eficiência, transparência e fraternidade em seus gastos.”

O Brasil, disse ele, é comprometido com a democracia, a liberdade e se torna a cada dia um ambiente melhor para os investimentos.

Ele acrescentou que conta com o ingresso na OCDE para tornar o caminho para a prosperidade mais curto.

Fonte: Valor Econômico

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